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CIENTISTAS POLÍTICOS OU ADVOGADOS POLÍTICOS ?
A primeira coisa que os cientistas políticos deviam aprender é que não existem cientistas políticos . Por uma razão simples : a política não é, e não poderá ser nunca uma ciência . A política não é ima ciência mas um conhecimento . A diferença entre o conhecimento e a ciência está em que esta liga-se à natureza , e aquele , ao homem . O conhecimento é um produto da cultura , e a ciência , da natureza .
A natureza tem leis certas , necessárias , eternas e imutáveis . Do conhecimento são deduzidas leis que dependem de determinadas circunstâncias para se cumprir . As leis da natureza são certas , previsíveis; as do conhecimento , incertas, imprevisíveis , como tudo que depende do homem .
O conhecimento está baseado na indução , partindo do princípio de que se uma experiência , várias vezes repetida, leva ao mesmo resultado , é provável que na próxima repetição , o resultado continue o mesmo . Em política , a experiência nos ensina que , em situação normal , determinados fatos se repetem.
A política está subordinada à vontade humana e, como tal é imprevisível . Não existem lei em política , mas simples saber baseado na experiência . Os " cientistas políticos ", na verdade , são " advogados políticos ", isto é, profissionais a serviço das defesa de determinados interesses . Como os advogados, os " cientistas políticos " estão a serviço de quem lhes paga . E como quem tem melhores condições de pagar dão os ricos , os " cientistas políticos " estão, normalmente , a serviço das classes dominantes . São , na sua imensa maioria , turiferários do poder . Apesar de ser a mais importante de todas as atividades humanas, a política foi a única que não se desenvolveu como passar dos séculos . As nossas democracias , por exemplo , estão longe da primeira experiência democrática da história , a democracia direta da Grécia, quando o povo de Atenas, no século V antes de Cristo , se reunia na agora , e livremente discutia e resolvia os problemas da cidade . A democracia direta grega , na verdade , não era democracia nenhuma, pois dela só participava uma insignificante minoria da população ateniense . Era uma democracia de minoria , como aliás , todas as outras democracias que a Humanidade conheceu até aqui . E democracia de minoria pode ser tudo , menos democracia . Ao procurar se fazer passar por " cientistas políticos ", Esses advogados dos interesses das minorias buscam, na verdade , acobertar , sob o manto da seriedade científica , os seus vis propósitos de defesa de uma ordem social injusta , baseada na mais sórdida exploração do homem pelo homem . O seu objetivo não é lutar contra a alienação humana , mas ampliar os seus limites para que os donos da vida possam, tranqüilamente , desfrutar os seus privilégios . A nossa cultura é, toda ela , alienante. Quanto mais culto o homem , mais alienado por serem as informações que são lançadas no seu robô interior , na sua maioria , destorcidas. Nessa tarefa de mistificar , de enganar , de iludir , os " cientistas políticos " têm tido importante participação, ajudando a manter o povo na ignorância a fim de que as classes dominantes não se sintam ameaçadas no usufruto do poder .
Se, ao invés de estar a serviço , permanentemente , da minoria , a política fosse usada para atender à maioria , a história da Humanidade seria outra e, há muito tempo , todos os homens já teriam tido oportunidade de viver uma vida , não digo feliz , mas mais digna de ser vivida .
Rio , Segunda-feira , 4 de agosto de 1997
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