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UM PROJETO ECONÔMICO ALTERNATIVO PARA O PAÍS

O modelo neoliberal retoma uma das teses centrais do marxismo : o primado do econômico sobre o político . Nesse sentido , a preocupação com a estabilidade monetária passa a dominar toda a vida econômica e inviabiliza qualquer projeto de libertação nacional . Mesmo a alternância do poder , um dos princípios básicos da democracia , é posto em xeque . O economista John Williamson, um dos criadores do Consenso de Washington, chegou a escrever : “ Para que haja possibilidade de democracia , seria de bom alvitre que a política econômica não fizesse parte do debate eleitoral ”. O que significa que , numa eleição , pode-se discutir tudo , menos o essencial .

O modelo neoliberal seria intocável , não podendo ser mudado, mesmo que represente uma hecatombe para a nação . Que o país seja destruído, contando que se salve a moeda ! Trata-se de uma inversão completa da conceituação da economia . Os economistas estiveram, até aqui , de acordo em que a parte mais importante do processo de produção é o consumo . Isso já foi dito , da maneira mais clara , pelos economistas clássicos , que criaram as bases do liberalismo econômico . “O consumo ” – escreve Adam Smith – “é o único objetivo e propósito de toda a produção ; e tem-se que atender ao interesse do produtor somente na medida em que é necessário promover o do consumidor ”. Na nova conceituaçãi da economia , a sua finalidade não é atender ao consumidor , mas ao investidor . “Os investidores ” – observa o economista Edgar Beninger, consultor do Banco Mundial – “devem ter certeza de que não haverá alternância na política econômica ”. E como essa certeza só pode ser dada pela conservação dos mesmos homens no poder , o ideal é a adoção do autoritarismo , embora sob uma capa democrática . A tradição latino-americana da não reeleição do presidente da República vigente, mesmo no período da ditadura militar , está sendo quebrada . Na Argentina, Menem já se reelegeu e, no Peru , Alberto Fujimori sonha com um terceiro mandato . No Brasil, a reeleição é idéias fixa de Fernando Henrique Cardoso.

O que está acontecendo hoje no Brasil, em matéria de autoritarismo não é muito diferente do que aconteceu durante a ditadura militar . Quando percebiam que os seus projetos não iam passar , os ditadores militares fechavam o Congresso . Hoje , quando sente que o mesmo vai acontecer , Fernando Henrique Cardoso corrompe senadores e deputados através de favores e benesses . Segundo os jornais , o projeto da Previdência Social custou 14 bilhões de reais aos cofres públicos . A estabilidade da nossa economia se apóia em juros altos , pois são eles que garantem a vinda do capital estrangeiro com o qual mantemos a aparente estabilidade do real . O povo brasileiro hoje trabalha para pagar juros . Eles representam 59% dos encargos do Tesouro Nacional . Estamos pagando, semanalmente , um bilhão de reais aos banqueiros . O que há, no Brasil, é uma bolha financeira que cresce assustadoramente e ameaça romper a qualquer momento , destruindo a economia nacional . Os juros da dívida interna estão arruinando a economia de todos os estados . São Paulo está falido. Se fosse pagar os juros de sua dívida . Minas gastaria todo o meu orçamento . O Rio de Janeiro está propondo uma moratória de seis meses para continuar a respirar .

Não há mais capital produtivo capaz de ajudar a produzir riqueza e atender ao consumidor . O investidor estrangeiro busca apenas juros altos e exige estabilidade financeira . Ao menor sinal de instabilidade , toma outro rumo . Ou , como disse o prof. Rudiger Dornbush, que previu o colapso financeiro do México: “O desastre pode não vir em um mês , mas virá. O Brasil, não estacionou lá , apenas parou no acostamento com o motor ligado”.

Parece mais do que claro que , diante de perspectivas tão sombrias, já é hora de começarmos a pensar num projeto econômico alternativo , voltado para o homem e não para os juros .

Rio, sábado e domingo, 23 e 24 de agosto

 

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