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A ALCA

O problema da Alca está sendo colocado pela imprensa brasileira como se se tratasse, apenas , da discussão de um acordo , firmado entre iguais , sobre interesses comuns . A questão estaria em saber se é do interesse do Brasil retirar as barreiras alfandegárias abrindo para nós um mercado de 800 milhões de pessoas com um PIB de 11 trilhões de dólares. Isso estimularia o aumento da produção brasileira e a criação , aqui , de milhões de empregos .

A realidade , porém , é que esse parceiro , que agora se apresenta tão pressuroso em nos ajudar , é um velho conhecido nosso e que , embora tratado por nós com toda cordialidade e respeito , sempre foi o maior inimigo do Brasil, responsável pelo nosso atraso e pela nossa miséria . Um breve retrospecto nos ajuda a ver melhor uma realidade que , por ignorância e má fé , temos procurado ignorar O Brasil, desde 1870, no final da guerra do Paraguai, até 1979, foi o país que teve maior crescimento do PIB em todo o mundo . De 1952 a 1987, crescemos a uma média de 7,47%, e se tivéssemos mantido esse mesmo nível de crescimento , o nosso Produto Interno Bruto anual seria hoje de 1 trilhão e 300 bilhões de dólares, o que nos colocaria no 4º lugar no mundo . Como os Estados Unidos cresceram, no mesmo período , a uma média anual de 2%, o Brasil não demoraria a superá-los passando a ser a nação mais rica do mundo . Foi aí que os Estados Unidos resolveram tomar providência para brecar o desenvolvimento do Brasil. O alerta foi feito , da maneira mais clara possível , pelo então chanceler Henry Kissinger: "Os Estados Unidos não permitirão o aparecimento de um novo Japão abaixo da linha do Equador ". O instrumento para acabar com as pretensões do Brasil foi o Projeto Neoliberal, e a ajuda de brasileiros apátridas que se dispuseram a realizar a missão de destruir a economia do país . Temeroso de que não tivesse condições , apesar de todos os seus esforços , de acabar com a economia brasileira em apenas quatro anos , Fernando Henrique Cardoso rompeu com a tradição da reeleição do presidente da República , obtendo para si mesmo , através da despudorada compra de votos , um segundo mandato . Para se ter idéia da tragédia que representou para o Brasil o governo FHC, basta lembrar que , num único ano (1979) durante a ditadura militar , no governo Médici, o nosso país cresceu mais do que , somados, os oito anos de Fernando Henrique. O crescimento da nossa economia caiu de 7,47% para 2%.

Da posição da oitava potência do mundo , fomos para a 13ª. O nosso PIB, que era de US$755 bilhões , despencou, num só ano , para US$555 bilhões . A nossa renda per capita, no mesmo período , baixou de US$4,700 para US$3,400. Estima-se que Fernando Henrique Cardoso, por meio de juros superfaturados e da alienação de bens subfaturados, deu ao Brasil um prejuízo de mais de um trilhão de dólares.

A destruição da economia brasileira , que esteve prestes a ser realizada por Fernando Henrique Cardoso, pode ser concretizada pelo presidente Lula . Apesar de ter sempre se posicionado contra a Alca, Lula , agora no poder , virou a favor . A sua posição é ainda pior para que a de FHC porque este sempre defendeu que a discussão do assunto ficasse para 2007, enquanto Lula , em recente visita ao presidente Bush, em Washington, prometeu apoio à Alca em 2005.

Está mais do que claro para o povo brasileiro que a Alca representará um suicídio . Trata-se de um acordo entre desiguais , em que o mais forte sempre impõe o seu ponto de vista . A queda das tarifas alfandegárias só pode ser feita quando todos os países atingirem um estágio tecnológico igual e as discussões forem feitas por critérios que atendam ao interesse de todos . É absurdo imaginar que um país , como os Estados Unidos, que não respeitam as leis internacionais e que descumprem até as resoluções da ONU, vão se submeter a acordos feitos com o Brasil.

A verdadeira finalidade da Alca é perpetuar a atual situação de colônia imposta pelo Estados Unidos ao Brasil. Antes de pensar seriamente em assinar acordos com outros países , temos de conquistar a soberania . Só ela tem condições de nos colocar em igualdade com os nossos parceiros .

 

 

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