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LULA E O FMI
É impressionante a diferença entre a política econômica que o presidente Lula segue aqui dentro do Brasil e a que defende lá fora . Internamente , Lula é um cego seguidor das regras do FMI, que têm levado a nossa economia a uma situação de desespero . Nas duas últimas oportunidades , forçou novos acordos com o FMI, embora o Brasil não precisasse desses acordos . A situação de colônia do nosso país decorre desses entendimentos . Em pagamento dos empréstimos , os Estados Unidos, que manipulam o FMI, exigem a entrega de nossa soberania , inviabilizando a nossa economia . Se não precisa do dinheiro do FMI, o Brasil tem toda a condição de tornar-se um país soberano . Para impedir que o Brasil se torne um país soberano , Lula força novos acordos , completamente destituídos de base .
Aqui no Brasil, Lula é um sabujo defensor do FMI, da sua política suicida e das suas normas irracionais . Traiu o povo brasileiro , da maneira mais vergonhosa , para ficar com o FMI. Mas , no cenário internacional , volta a se fantasiar como defensor do Brasil e de uma política nacionalista. Agora , por exemplo , durante discurso na abertura da segunda sessão de trabalhos da reunião da cúpula Extraordinária das Américas, dedicada ao tema desenvolvimento social , afirmou que a política que prevaleceu no País nas últimas décadas contrapôs a estabilidade à justiça social . Mostrou que as receitas rígidas impostas pelos organismos internacionais aos países reproduzem e ampliam a crise macroeconômica que deveriam corrigir . Estas não são acrescentou conseqüências secundárias e aleatórias de uma política econômica supostamente sadia e adequada. Trata-se sim de um modelo perverso , que separou, equivocadamente, o econômico do social , que opôs a estabilidade ao crescimento e divorciou responsabilidade e justiça . A estabilidade econômica foi pensada de costas para a justiça social . Ficamos sem as duas.
Para comprovar a sua tese , Lula citou dados do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Prud), que mostra o aumento da exclusão social no mundo , na América Latina e, em especial , no Brasil. Mencionou a redução da renda per capita em 54 países nos últimos dez anos e referiu-se à estatística que indicou que um terço da população brasileira padecia de insegurança alimentar em 2002.
Lembrou que a ONU definia os anos 80 como a década perdida e a década de 90 como a década do desespero .
E concluiu: chegou a hora de resgatar e afirmar de uma vez por todas a primazia do interesse e da coisa pública nas Américas .
Essas palavras , na boca de um governante que tem conseguido levar às últimas conseqüências os princípios da política neoliberal do lacaio Fernando Henrique Cardoso, soa como um escárnio . O que Lula tem de fazer , se é que pretende salvar algum resto da sua credibilidade junto ao povo brasileiro , é afastar o Brasil, em definitivo , do FMI, dando ao nosso país a oportunidade de livrar-se das peias dessa organização criminosa , tornando-se, em poucos anos , o país mais rico do mundo .
O Brasil não está exigindo de Lula senão o mínimo que se pode exigir de um homem : que ele cumpra a sua palavra .
Diário da tarde , dia 23 de janeiro de 2004
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